terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Vivendo e aprendendo

Ao 28 anos, naturalmente, não sou um poço de sabedoria. Acredito, entretanto, que, a cada ano que passa, as experiências que vivemos nos trazem aprendizados valiosos, os quais nem sempre sabemos avaliar e por em prática. Aprendizados esses que, dos mais simples aos mais complexos, consequências dos pequenos incidentes do dia a dia ou dos grandes acontecimentos promotores de mudanças significativas na vida, podem ser agentes da nossa própria evolução enquanto seres humanos e podem nos fazer refletir sobre nossas atitudes e, até mesmo, modificar a nossa maneira de pensar sobre os mais diversos aspectos da vida. 

Muitas reviravoltas se passaram na minha história ao longo das minhas 28 primaveras, e, hoje, consigo perceber em mim mesma alguns sinais de crescimento que, há cinco anos atrás, para não ir muito longe, a minha cabeça quase recém saída da adolescência não permitia. 

Dentre as muitas coisas que aprendi nesse tempo, com experiências próprias ou de pessoas próximas a mim, após um exercício de reflexão que recomendo a todos, consigo compor um pequeno rol com as mais relevantes até o momento.

A primeira delas, e acho que é a mais importante, é: julgar os pensamentos, atitudes, escolhas de outras pessoas que não nós mesmos é o erro mais grave que posso cometer. Por mais próxima que eu seja de uma pessoa, por mais que eu a ame muito, por mais que eu tenha certeza de que a pessoa não está indo pelo caminho correto, NADA me dá o direito de interferir na vida de quem quer que seja. Veja bem, não estou falando de conselhos, embora eu ache que os conselhos devem ser dados, via de regra, quando solicitados. Estou falando de julgamentos mesmo. Posso conhecer intimamente a pessoa, mas nunca saberei o que de fato se passa dentro dela a ponto de avaliar os motivos que a levam a esta ou aquela escolha. Não posso escolher as músicas que alguém deve ouvir, os filmes que deve assistir, os lugares que deve frequentar, o que deve comer ou beber, e, principalmente, eu não tenho o direito de dizer a ninguém, nem ao meu melhor amigo, quem deve estar ao seu lado. Um grande sinal de amadurecimento é saber aceitar as pessoas e suas preferências, ainda que eu não concorde com elas. E não há problemas em expor a minha opinião, desde que ela não machuque, não provoque atritos desnecessários e nem faça com que as pessoas importantes se distanciem. Com o tempo, aprendi que os meus serão sempre meus, independente de suas opções. Gosto de saber que posso contar com eles e que eles podem contar comigo sempre que preciso.

Aprendi, também, que analisar o comportamento das pessoas e criticar seu modo de agir é muito fácil; difícil é olhar para o meu próprio umbigo. É natural observar e fazer objeções aos que estão à nossa volta. Porém, o exercício de olhar para dentro de mim mesma me mostrou que, inúmeras vezes, eu tinha exatamente as mesmas atitudes que tanto detestava nos outros. E como é difícil chegar ao ponto de admitir isso! Requer um grau de modéstia, humildade e autoconhecimento que nem sempre estamos dispostos a revelar a ninguém, quiçá a nós mesmos. 

Por vezes, a vida nos coloca frente a situações complicadas, das quais não conseguimos abrir mão ainda que à custa de muito sofrimento. Nesses momentos, recorremos aos amigos, e cada um deles nos brinda com uma opinião diferente, um conselho infalível. Todos enxergam melhor que nós aquilo que tanto mexe com nossas próprias emoções. Muitas vezes entramos em atrito e acabamos nos afastando daqueles que expressam um pensamento que nos desagrada. Passado certo tempo, posso ver que muitas vezes fui egoísta e me julguei autosuficiente, quando, na verdade, precisava e muito daquelas pessoas ao meu lado, com suas opiniões, conselhos, pensamentos. Não que eu fosse segui-los, mas precisava ouvi-los. Hoje consigo entender que cada um teve seu papel e contribuiu à sua maneira para que eu chegasse à tão desejada tranquilidade que me acompanha no presente. Com isso, aprendi que uma das características mais necessárias a um ser humano é a capacidade de OUVIR. Todos gostamos de falar, mas quase ninguém gosta de ouvir o que os outros tem a dizer. E ouvir não quer dizer concordar. Significa apenas coletar dados, colocar na balança e ver o que é positivo e o que é negativo, o que é dispensável e o que é aproveitável, e, assim, inteligentemente chegar a uma conclusão própria, legítima e madura.

Aprendi ao longo da minha vida que admitir os próprios erros e pedir desculpas por eles não é sinal de fraqueza. Tampouco perdoar é falta de força. Ambas as atitudes são sinais de amadurecimento e nos trazem paz de espírito e consciência. O orgulho nos segura porque vem do amor próprio e é fundamental para todos, mas o excesso dele nos torna arrogantes, prepotentes e, a longo prazo, nos leva à solidão. Com o tempo, aprendi que se eu tiver a humildade de reconhecer minhas falhas, deixarei o caminho aberto para que os que estão à minha volta façam o mesmo. E assim, a antiga máxima do "perdoar para ser perdoado" se concretiza e nos tira aquele peso das costas que enrijece a musculatura e, muitas vezes, nos traz mal humor, insônia, descontrole emocional e depressão. 

Paulinho da Viola disse numa linda canção "... a dor é minha só, não é de mais ninguém..."; as minhas frustrações são minhas, como são meus o meu sofrimento, o meu cansaço, o meu desespero, as minhas angústias. Os tropeços da vida me ensinaram que não devo culpar ninguém pelos meus fracassos, porque cedo ou tarde eles aparecem, e, na maioria dos casos, é muito mais fácil apontar um bode expiatório do que lidar com eles. É parte crucial do amadurecimento o processo de recriação e reconstrução das nossas bases. Ninguém é responsável pelo meu sucesso, assim como ninguém é culpado pelo inverso. Assim, aprendi que não devo descarregar nos outros o peso da minha insatisfação, sob pena de, novamente, afastar de mim as pessoas que amo e que me amam.

É provável que eu pudesse escrever infinitos parágrafos listando tópicos da minha breve lista de aprendizados. É provável, também, que nem sempre eu consiga colocá-los em prática quando necessário. São muitos os elementos envolvidos quando estamos na iminência de tomar alguma atitude diante de determinado acontecimento. E quase sempre a emoção nos leva com mais facilidade do que a razão. Entretanto, pensar a respeito deles e colocá-los no papel é um exercício e tanto. Espero que, dando continuidade ao meu pacote de mudanças para o novo ano, eu consiga ser mais racional quando necessário e mantenha a cabeça livre e tranquila para agir da forma mais apropriada a cada situação. Espero, ainda, que em breve eu consiga parar para refletir novamente e fazer uma nova edição, revista e ampliada, desta breve auto-análise.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Uma trégua aos anos pares

Certa vez escrevi aqui que os melhores anos da minha vida tinham sido os ímpares, enquanto que nos pares havia vivido os maiores dramas. 2011 serviu para comprovar a minha teoria. Foi um grande ano para mim em todos os aspectos; um ano de evolução, crescimento, amadurecimento, fortalecimento de alguns laços, retomada de outros e, acima de tudo, de muita felicidade e sucesso. Claro que houve acontecimentos dispensáveis, porém, no geral, só tenho a agradecer a todos os que contribuíram de alguma forma para que tudo transcorresse da melhor forma possível. O ano de 2011 encerrou-se com saldo positivo para mim, coisa que há algum tempo não acontecia.

A meta para 2012 é derrubar a minha própria teoria. Tudo que vivi no ano que passou me motiva a trabalhar para que o ano que está por vir seja ainda melhor. E há uma semana venho colocando em prática pequenas grandes mudanças que vem, por si só, me motivando mais e mais. 

Começando pela organização da casa -  passando adiante o que não interessa mais, desde papéis inúteis até roupas e sapatos que não são mais usados; arrumando cada cômodo da casa e seus respectivos armários; ordenando coerentemente a biblioteca. Tudo isso trouxe uma atmosfera leve e agradável, que me faz aproveitar com prazer cada momento passado dentro de casa.

Renovando hábitos, em busca de uma vida mais saudável. Cardápio elaborado no melhor estilo "bossa-nova", eliminando os excessos que, a longo prazo (nem tão longo assim), levam a uma saúde comprometida, ao cansaço e todas as consequências de ambos. Atividade física para ganhar energia e ânimo para fazer com que cada dia seja o mais produtivo possível.

Essas mudanças parecem bobagem, mas em uma semana me transformaram em uma pessoa mais disposta e me trouxe uma qualidade de vida que havia deixado para trás nos últimos três anos e espero conseguir manter e reforçar ao longo do ano e da minha vida. Quando as minhas férias terminarem, em fevereiro, e a rotina puxada de trabalho voltar, espero já ter conseguido fazer com que os novos hábitos me auxiliem a ser uma profissional mais organizada, completando assim o pacote de mudanças que julgo necessárias em minha vida. 

Como acho complicado fazer planos para muito adiante, o melhor é ir vivendo dia a dia, estabelecendo metas de curto prazo. Assim, ao final de cada dia bem vivido, uma vitória a mais. Dessa forma, acredito que conseguirei chegar ao dia 31 de dezembro de 2012 com saldo positivo novamente e fazer com que a teoria dos anos ímpares caia por terra. 

"... taking a chance is embracing the change..."

sábado, 17 de dezembro de 2011

Repúdio

Ontem, 16/12/11, e eu um grupo de amigas fomos ao  Long Play , casa noturna que fica na Sarmento Leite, quase esquina com a Lima e Silva, na Cidade Baixa, em Porto Alegre. Tinha tudo para ser uma noite perfeita, já que íamos exclusivamente para assistir ao show de uma aluna minha, cujo nome não vou citar aqui para não vinculá-lo ao desrespeito que presenciamos no local. De fato, tudo transcorreu perfeitamente durante o show, pelo qual esperávamos ansiosamente há semanas, com ingressos comprados com bastante antecedência. Por volta da meia noite, uma de minhas amigas pegou as comandas para pagar e irmos embora. Ao passar o cartão de débito, a maquininha, uma dessas queridas que volta e meia nos deixam numa saia justa em estabelecimentos comerciais, deu a seguinte mensagem: ERRO DE CONEXÃO. Ora, não precisamos ser gênios para entender que uma mensagem dessa NÃO SIGNIFICA QUE NÃO HÁ SALDO NA CONTA PARA SER DEBITADO. Certo? 

A funcionária do bar tentava repetir a operação quando o GERENTE da casa resolver dar o ar de sua graça. Irônica e desrespeitosamente, o sujeito, que diz chamar-se Rafael, dispara uma sequência de desaforos para cima da minha amiga, afirmando que ela era uma “chinelona”, que não tinha dinheiro para pagar a conta e teria de pedir dinheiro emprestado pois não sairia do bar sem pagar. Minha amiga responde a ele dizendo que há dinheiro na conta e que o problema é na máquina, mostrando a mensagem da mesma. O gerente pega um maço de comprovantes de pagamentos com cartão saídos da mesma máquina, para “provar” que a máquina funciona e que o problema era que nós não tínhamos dinheiro. Não satisfeito com o desrespeito, ele ainda parte para a violência, se aproxima de nós e diz: “não tá satisfeita? bate aqui!”, dando tapinhas no próprio rosto, esperando que alguém seja ingênuo o suficiente para agredi-lo fisicamente (muito embora não faltasse vontade). A maquina seguiu passando a mesma mensagem de que não havia conexão. Pagamos a conta em dinheiro e nos retiramos. O tal gerente veio atrás de nós, repetindo desaforos e avançando para bater na minha amiga, afirmando que até menor de idade ela era (o que é mentira), julgando-a pela aparência e mostrando-se assim, além de um grande idiota, estúpido e grosseiro, também preconceituoso.

Enfim, posso escrever um livro contando em detalhes o que aconteceu, mas nada será capaz de demosntrar o desaforo, o desrespeito e a humilhação que presenciamos no Long Play, por parte do sujeito que deveria zelar pelos clientes e fazê-los sentir-se bem e com vontade de voltar ao local.
Por meio deste breve relato, manifesto meu repúdio à atitude do gerente do Long Play.  Simplesmente não voltar mais ao bar não basta. É preciso que o maior número de pessoas saiba que o senhor Rafael, que diz ser gerente e dono do bar, é um homem mal educado, arrogante, prepotente, preconceituoso e despreparado para exercer a função própria do cargo que ocupa.

Ao sair do bar, fomos jantar do Pizza em Fatias, onde pagamos nossa conta com o mesmo cartão de débito com o qual tentamos pagar a comanda do Long Play, e não tivemos nenhum problema, nem com o cartão, nem com a gerência. 

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Quanto vale?

Acordar às 6h30 todos os dias: difícil

Enfrentar o congestionamento da BR 116 três vezes por semana: um inferno

Abdicar de tempo livre em nome do trabalho: chato, mas necessário

Driblar hiperatividade, déficit de atenção, bullying, celulares com acesso a internet SEMPRE conectados e todos os outros males da adolescência do século XXI: como faz?!

Receber uma cartinha linda escrita por TODA uma turma de 8ª série ao final de uma aula LIGHT sobre ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS: não há cansaço, sono, mal humor que resista; simplesmente NÃO TEM PREÇO.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Do arrepio...

É curioso como certas coisas que uma vez passaram despercebidas na nossa vida ganham força e sentido de repente. Quem nunca se flagrou emocionado ao ouvir aquela canção velhinha, considerada brega quando a mamãe ouvia e cantarolava?

Há coisas que necessitam uma certa maturidade para serem compreendidas no seu sentido mais profundo. É preciso viver para sentir na pele aquele arrepio ao se deparar com uma obra como essa:


Sempre curti essa dupla, desde muito antes de imaginar a possibilidade de vir morar na terra deles. Ontem, ao assistir o belo espetáculo de grandes amigos num bar em Porto Alegre, me emocionei e senti um calafrio gostoso ao ouvir a interpretação de um deles para Paixão

Esse é o prazer maior que a arte nos proporciona: a identificação seguida de emoção e todos os efeitos que esta pode provocar numa pessoa minimamente sensível. É um prazer que extrapola questões estéticas. É um prazer que te faz chegar em casa, buscar a canção, ouvir e ouvir de novo, ler e reler a letra, maravilhando-se com o fato de que você também sente aquelas mesmas coisas e também pode dedicar aquelas palavras a alguém. 

E tem gente que ainda pergunta para que serve a arte... 

"Tens um não sei que de paraíso
E o corpo mais preciso
Que o mais lindo dos mortais.
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou."


terça-feira, 26 de julho de 2011

Desafio

Evandro Oliveira, autor do blog Sabor da Letra, respondeu ao desafio e lançou o mesmo para quem se interessasse. Gostei.




1 - Existe um livro que você leria e releria várias vezes?
Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Marquez

2 - Existe um livro que você começou a ler, parou, recomeçou, tentou e tentou, mas nunca conseguiu ler até o final?
Sim. Germinal – Émile Zola

3 - Se você escolhesse um livro para ler para o resto da sua vida, qual seria ele?
Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

4 - Que livro você gostaria de ter lido, mas que, por algum motivo, nunca leu?
Crime e Castigo – Dostoiewski

5 - Qual livro que você leu cuja "cena final" você jamais conseguiu esquecer?
Grande Sertão: Veredas – Guimarães Rosa
“O diabo não há! É o que eu digo, se for... Existe é homem humano. Travessia.”

6 - Você tinha o hábito de ler quando criança? Se lia, qual tipo de leitura?
Sim. O primeiro livro que me fez chorar de emoção foi Meu Pé de Laranja Lima – José Mauro de Vasconcellos. O salto entre infanto-juvenil e os clássicos se deu com Machado de Assis.

7 - Qual o livro que você achou chato, mas ainda assim o leu até o final?
Morte em Veneza – Thomas Mann

8 - Indique alguns dos seus livros favoritos.
A Chave da Casa – Tatiana Salem Levy
Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
Dom Casmurro – Machado de Assis
Budapeste – Chico Buarque
Grande Sertão: Veredas – Guimarães Rosa
Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Marquez
Poemas de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa
Hamlet – Shakespeare
A Casa dos Budas Ditosos – João Ubaldo Ribeiro
Atonement – Ian McEwan
O Apanhador no Campo de Centeio – J.D. Salinger
The Bluest Eye – Toni Morrison
Um Bonde Chamado Desejo – Tennessee Williams
Lavoura Arcaica – Raduan Nassar

9 - Qual livro você está lendo no momento?
Relendo Chico Buarque – Estorvo, Benjamim, Budapeste e Leite Derramado; Jorge Amado – Capitães da Areia; George Orwell – A Revolução dos Bichos. Professora de Literatura aspirante a doutoranda em Literatura Brasileira é assim, lê mil coisas ao mesmo tempo...

***

E aí? Alguém topa o desafio?

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Happy end... or beginning?

"When you realize you want to spend the rest of your life with somebody, you want the rest of your life to start as soon as possible."


O resto da minha vida começou há mais ou menos nove meses. 

E com ele vieram: 

Tranquilidade 

Amor

Vontade de viver

Vontade de crescer

FELICIDADE.

Obrigada por me mostrar que é possível.


Eu te amo.