quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Divagações patéticas e melancólicas após uma noite mal dormida

Não são nem 9 horas da manhã, e estou de férias. Férias mais que esperadas e merecidas. Que faço eu acordada a essa hora, então? 

Da janela do quarto posso observar uma bela manhã de sol, muitas árvores e os pássaros que ficam saltitando entre os galhos e cantando sua canção. A poesia espontânea da natureza em plena cidade.

Na televisão, ligada apenas para que vozes humanas me façam companhia, programas destinados ao público feminino me aborrecem. Dicas de culinária, decoração, limpeza, artesanato. Nada que me interesse muito a essa hora da manhã.

Pelo computador, me atualizo sobre as últimas notícias e leio os últimos posts dos blogs que gosto de acompanhar.

A pia está abarrotada de louça suja. O apartamento, que foi organizado e limpo há menos de 48 horas, já está pedindo minha atenção novamente.

Entretanto, encontro-me atirada na cama, com a TV ligada, mas sem olhar para ela; com a janela aberta, mas sem poder observar a paisagem, que fica escondida atrás da tela do notebook - apenas o canto dos pássaros me alertam para a existência de vida natural do lado de fora. Nada me incentiva a deixar o ninho para me dedicar a atividades domésticas. 

Penso que poderia preparar um chimarrão, atravessar a rua e ler um bom livro no parque em frente ao prédio. A temperatura, já beirando os 30º, me desestimula. Por outro lado, a sensação de tempo perdido de quem está enclausurada no quarto num lindo e ensolarado dia me diz que seria uma ótima ideia. Talvez eu faça isso mesmo. Não sei ainda.

Sinto-me perdida, sozinha em casa, após uma noite interrompida repetidas vezes pela sede, vontade de ir ao banheiro, sonhos estranhos dos quais não me recordo.

Sinceramente, acho que preciso voltar a trabalhar. Excessos me fazem mal. Até mesmo excesso de férias.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sinta o Tom!!!



Hoje Tom Jobim completaria 84 anos. 


Como fã e admiradora, deixo aqui minha homenagem. 


A alegria escandalosa dos anos ímpares

Pode ser uma grande bobagem, mas de um tempo para cá passei a acreditar que os anos ímpares são sempre melhores que os pares para mim. 

Em 2001 passei no vestibular da UFRGS. Em 2005 concluí minha graduação e ingressei no mestrado. Em 2009 defendi minha dissertação. Momentos que me trouxeram muita felicidade e sensação de realização plena. 

Em 2010, tive tantos problemas que várias vezes tive vontade de jogar tudo para o alto e virar caixa de supermercado. Pelo menos não levaria trabalho para casa. Ideia bem ridícula, mas que mostra bem o espírito dos anos pares da minha vida.

Agora, no início de 2011 me vejo com um mar de novas possibilidades. Vida pessoal e profissional tranquilas. Nova morada. Amigos novos e velhos. Tudo parece se encaminhar para o melhor destino.

É óbvio que não começo os anos pares pensando que tudo vai dar errado. Mas por algum motivo, os momentos de mais angústia da minha vida foram nos malditos anos terminados em 0, 2, 4, 6 ou 8. 

Podem ficar sossegados; não vou dedicar este post a lamentações do passado. Quero apenas dizer que, nesse novo ano ímpar, início de uma nova década e de uma nova era na minha vida, desejo que todas as possibilidades que se abrem diante de mim possam ser aproveitadas da melhor maneira e que me garantam paz e tranquilidade nos próximos anos, sejam pares ou ímpares. Acima de tudo, espero que a felicidade que me acompanha neste momento continue ao meu lado. 


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Feliz aniversário

Foram 76 posts nesses 365 dias. Parece pouco, mas quem acompanhou de perto os episódios que fizeram da minha novela da vida real quase um drama tragicômico sabe que este blog teve um papel fundamental. Um não, vários. 

Através dele, fiz meus desabafos; transmiti mensagens implícitas; mandei outras tantas nem tão implícitas assim; falei sobre assuntos do meu interesse; homenageei pessoas importantes.... enfim, de certa forma, fiz da tecnologia a minha terapia. 

Se ajudou ou não, deixo aos meus amigos a tarefa de julgar. Eu, como autora do blog, só posso dizer que não me arrependo de nenhuma linha publicada. 

Cada um dos textos existe porque em algum momento tive necessidade de expressar tais palavras. Reler cada um deles, relembrar os momentos que os inspiraram, rir das bobagens que aconteceram, lamentar os erros irremediáveis e comemorar as vitórias são exercícios muito válidos, que ajudam a avaliar o que vivi, repassar as lições que tirei de cada experiência e dar valor ao que tenho hoje.

Obrigada aos amigos e leitores! 

E feliz aniversário ao Pecado...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Invejinha EnTHulhada

Muito por acaso, descobri AGORA um blog pelo qual me apaixonei instantaneamente. Chama-se EnTHulho Musical e é de autoria de Thiago Henrick. Aos que apreciam o melhor da música brasileira, recomendo uma visita. Aos que não se interessam tanto assim, mas estão curiosos para saber a razão do meu encantamento, tomo a liberdade de citar um post inteirinho, que me provocou uma certa inveja, devo confessar. É uma inveja boa, que nos assola quando nos deparamos com uma obra bem feita, que gostaríamos de ter feito nós mesmos.

Ao ler o tal post sobre Chico Buarque, me identifiquei com as palavras do Thiago imediatamente. O texto é muito bem escrito e descreve muito da minha relação com a obra do Chico. Formidável. 

Sem mais blá blá blá, aí vai a cópia, com os devidos créditos ao autor:


A GRIFFE BUARQUE DE HOLLANDA (CRÔNICA)*




Desde pequeno lembro que Chico Buarque representava um sentimento próximo da unanimidade em termos intelectuais. Os mais velhos não admitiam que falassem mal de sua obra, e os mais novos mantinham o respeito à opinião adulta em massa.
A priori, como toda criança, achava Chico “coisa de gente velha” e não via graça nenhuma nas canções. Era comum ouvir “Cálice” no mais alto volume no aparelho de meu avô, e, na minha simplicidade, zombar dos erros de pronuncia “pai, afaste de mim e se cale-se” ou estranhar a parceria com Milton Nascimento em “O que será, que será” - era esquisito ouvir dois homens de vozes tão diferentes interagindo tão bem. Chico só se fazia atraente aos meus ouvidos quando chegava próximo do meu universo infantil cantando as músicas dos “Saltimbancos” ou na acertada parceria com Simone com a bela “Iolanda” (que me remete a uma tia já falecida, que tinha este nome).
Na adolescência, a letra de “Construção” era alvo favorito de análises gramaticais das professoras de português, lembro de lições sobre a mesma na sexta e na oitava série, e até de uma prova que tinha a letra inteira numa questão. E tentar decorá-la foi talvez meu primeiro “encanto” e familiaridade com a obra de Chico. Daí a se aprofundar foi um pulo - com as aulas de História e a criação de alguma consciência política, vieram as identificações com as ideias de Chico, de um bom senso sem tamanho. Passei a saber mais de sua vida. Maravilhei-me com as peças teatrais escritas, os poemas realizados. Encontrei músicas tão políticas, emblemáticas, românticas, verdadeiras, piadistas, sinceras, humanas e divertidas! Jogos de palavras geniais e uma capacidade quase sobre-humana de colocar o eu-lírico feminino em evidência e com uma perfeição espetacular.
Passada a fase do encanto cego, passei a digerir mais o pensamento de que, tudo em demasia, é cansativo. O culto a Chico, de tão grande que se perfez ou inalcançável que se firmou, inevitavelmente trouxe uma “dose de realidade’. Chico não é semideus e, a despeito da grandiosidade de sua obra, é um brasileiro com tantos defeitos quantos forem necessários. É conhecido seu lado mulherengo, verificado até em pequenos escândalos não generalizados, assim como a gente aceita o fato dele, hoje em dia, não lançar nada mais do que o óbvio e enfadonho, querendo justificativa no “já ter contribuído demais com a música brasileira e não precisar provar mais nada”.
O que os fanáticos e admiradores de suas melhores obras precisam enxergar é que a grandiosidade se verifica justamente no Chico humano. O que tem mau humor, o que trai, o que toma decisões políticas discordantes (vi o cumulo: pessoas apoiando Dilma apenas porque Chico disse que votaria nela!). A griffe Buarque de Hollanda às vezes se comporta como “as vitrines” – são atraentes a ponto de chamar muita gente que sequer entende o que se está por trás do produto. Ele não deveria ser quase unanimidade ao ser elencado quando se quer mostrar que é intelectual, a ponto de persegui-lo por todos os seguimentos e parâmetros inimagináveis. O efeito obtido é exatamente o oposto: ao invés de ser chic e Cult, nada mais são do que pessoas vazias e de opiniões copiadas com papel carbono e da profundidade de um pires.
O Chico humano não deveria ser tão formador de opiniões como é. Ele não é muito diferente de tantos cidadãos que estão por aí e, como “gente humilde’, não tem mesmo pretensão de ser! Tem suas opiniões como qualquer outro, até sobre assuntos que não dizem nada a ele, mas não há necessidade alguma de endeusá-lo por conta das glórias de suas obras.
Razoabilidade ainda se pede
!

*Thiago Henrick - EnTHulho Musical - 29 de outubro de 2010.

2010

Um ano que começou com festas, bebedeiras e muitos novos amigos. Janeiro e fevereiro passaram assim, com uma magia toda especial. Naquele momento, era tudo que eu queria; meu ideal de paraíso.

Em março, o que deveria representar um inevitável choque de realidade foi somente uma redução no ritmo desenfreado da curtição. O retorno ao trabalho me obrigou a dar uma sossegada, mas não cessou a loucura dos  finais de semana.

Abril e maio trouxeram uma certa tranquilidade, talvez devido ao fim do verão. Além disso, algumas confusões acabaram por dividir definitivamente o grande grupo de amigos que havia se formado poucos meses antes. O clima de curtição deu lugar a uma atmosfera pesada, que nunca mais nos deixou.

Na virada de maio para junho, sofri com a perda daquela que, durante aproximadamente cinco meses, foi a pessoa mais presente em minha vida; aquela que eu tinha certeza que seria minha melhor amiga para sempre. Infelizmente, uma mancada minha, pela qual não me perdôo até hoje, fez com que ela se afastasse de mim. No fundo, ainda guardo uma esperança de que a situação possa ser revertida ou, pelo menos, amenizada, embora tenha consciência de que isso, sim, será para sempre. Enfim, bola para frente.

Nesse mesmo período, como se fosse alguma força superior mandando um alívio para a tensão, uma outra pessoa surgiu em minha vida e me mostrou, entre MUITOS altos e baixos, a felicidade. Iniciou-se, então, a temporada das complicações, na qual me descobri muito mais persistente e paciente do que jamais imaginei que pudesse ser.

A melhor palavra para definir os dias que se estenderam desde o início de junho até meados de setembro é INCERTEZA. Incerteza para todos os lados. Incerteza esta que, no fim das contas, serviu para fortalecer o que hoje é meu porto-seguro.

Agora, iniciando a última semana do ano e fazendo um balanço de tudo que vivi nesses doze meses, concluo que, apesar de todos os contratempos, a vida tem sido bastante generosa comigo. Dei por encerrada a fase de loucura pós-divórcio. No trabalho, continuo realizada, dando aula na instituição que mostra diariamente o prazer e, às vezes, a inevitável dor de ser professora por opção. Pessoas maravilhosas surgiram e se tornaram indispensáveis; outras, lamentavelmente, tiveram apenas uma breve passagem, mas deixaram suas marcas - sobretudo, aprendizado e muita saudade; alguns laços se estreitaram definitivamente; e até uma amizade que havia ficado para trás foi revitalizada com força total.

Não farei previsões nem projetarei desejos para o próximo ano, pois, como escrevi num outro post, abri mão de planejar o futuro já há algum tempo. Só espero que as conquistas de 2010 se mantenham e que a felicidade do presente permaneça ao meu lado sempre.

E por fim, confirma-se o ditado. Após a tempestade, vem a calmaria. Com todos os nós desatados, aguardo 2011 de coração aberto, ocupado e MUITO feliz.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Vida Doce

Marcelo Camelo canta: 

Eu deixo tudo sempre pra fazer mais tarde 
E assim eu caminho no tempo que bem entender
Afinal, faz parte de mim ser assim

Na canção, parece lindo. Viver assim, sem se preocupar com datas e atrasos, é coisa de artista mesmo. 

O problema é que para nós, reles mortais, que vivem sob a pressão dos prazos de entrega, essa mania incontrolável de deixar tudo para depois não é nada poética. Quando chega a hora de encarar todo o trabalho que já deveria estar pronto, mas, por infinitas razões, simplesmente não está, vem o choque de realidade e, com ele, uma certa dose de desespero.

O bom é que, como sempre acontece, no final tudo dá certo. 

E lá vamos nós, mortais desesperados. O prazo está se esgotando, e não podemos mais adiar o trabalho. Mãos à obra. 

Sorte aos meus colegas professores. Que Nossa Senhora dos Cadernos de Chamada ilumine nosso caminho até o final do ano letivo. Amém.